terça-feira, 7 de abril de 2009

Pegação, Fechação... Ferveção


Ultimamente não tenho saído muito ou quando saio vou sem o espírito investigativo para postar qualquer coisa por aqui. Mas esse fim de semana fui a um lugar que me chamou a atenção porque nunca tinha ido e por vários outros motivos. É aquela coisa, você sai quinta, sexta, sábado, mas domingo não rola nada no circuito gay, não é mesmo? Mentira, rola sim. No lugar onde a semana inteira funciona o Cheio de Graça, ali na Avenida do Contorno, no domingo ganha um nome menos religioso e mais direto: Club Ferveção. Juro que nos primeiros momentos fiquei sem entender direito 'decolequié' do lugar. A bombância começa às 18 horas e quem chega até às 20h, não paga.

Cheguei com um amigo por volta das 20h30, havia uma fila na entrada e o segurança chamava pessoa por pessoa pra entrar. A impressão é de que o lugar estava cheio, mas não, a velha estratégia de fazer fila para atrair público. Tudo bem, já estou acostumado. Do lado de dentro estava vazio e como já disse, demorei pra identificar que público era aquele. Ficava num meio termo entre resquícios de Josefine com um tom wanna be modernete que não se concretiza. Ou seja, não dava pra entender. Por outro lado, não conseguia lembrar o nome do lugar nem a poder de reza. Eu ficava entre Pegação, Fechação e Ferveção, que é o nome de verdade.


A primeira visão do espaço: bar na entrada, pista de dança mais ao fundo, com uma escada de acesso a outra pista, fechada. À esquerda da entrada, uma porta preta com uma placa "Dark Room no segundo andar". Na pista, dois pedestais abrigavam gogo boys e uma drag queen, todos fizeram showzinho mais tarde. A música do lugar é aquele basicão gay, transita entre um bate-cabelo estilo "Set me free" e passa por Britney, Rihanna, essas coisas. E o povo gosta.

A noite teve dois derrepentes que me assustaram, é o que narro a seguir:

De repente 1: Tava lá e de repente e praticamente todos os caras tiraram a camisa, eu que não tenho corpinho pra mostrar fiquei constrangido. O constrangimento passou um pouco porque passei a prestar atenção nos corpinhos. Parabéns para quem malhou direitinho e noção para as pessoas que não não tem corpo mas mostram mesmo assim. Galera, não faça isso!


De repente 2: De repente a porta em que estava escrito "Dark Room no segundo andar" se abriu e todo mundo, todo mundo entrou por essa porta! Espantado, chamei meu amigo para entrar no lugar. Ao chegar lá, não era uma dark e sim uma segunda pista de dança, na qual o DJ Aless tocava as mesmas músicas da outra pista. Só a título de informação, parece que a dark fica no segundo andar dessa segunda pista. Não há o que acrescentar a esse espaço, os gogo boys foram pra lá, os rapazes sem camisa também e as demais pessoas, tipo eu, também.


Quer dizer, sentiu que não aproveitou o fim de semana e quer chutar o pau da barraca? Vai lá no Ferveção, Pegação ou sei lá o quê.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Fora da lei


Esse bannerzinho que você vê do lado aí no blog não é enfeite. O BHY pediu pra divulgar e nós resolvemos participar. Trata-se de uma campanha que deseja angariar 1 milhão de assinaturas para pressionar o Senado a aprovar o projeto de lei que criminaliza a homofobia. Portanto, não fique parado/parada, clique lá e siga as intruções.

segunda-feira, 2 de março de 2009

A tradicional família gay mineira


Já falei que odeio a família mineira? Na verdade, não odeio essa história de pai, mãe, irmão, etc. Fui criado numa dessas. O que irrita na verdade é a representação da tal Tradicional Família Mineira. Quem vive por essas terras sabe do que estou falando. Os jornais sempre estão carregados de fotos bonitinhas reunindo a linhagem familiar de pai, mãe, filha, que provavelmente já está prometida para algum fulano e em breve vai casar com pompas e tudo mais. Qualquer vídeo sobre o estado mostra pessoas muito felizes em suas casas ostentando pratos típicos, passando manteiga no pão, sempre com uma musiquinha calma, porque mineiro não se desespera, enquanto a câmera atravessa a janela e segue montanha acima.

Outro dia, inclusive, estava comentando com um amigo que se alguém de fora visse Minas pelo Terra de Minas, programa semanal da Rede Globo, imaginaria que no estado só houvessem senhoras na casa dos 50, que assam pão de queijo para os outros habitantes, os netinhos. 

Pois bem, disse tudo isso só para lançar uma proposta radicalzinha. Calma, não quero acabar com a família mineira nem com o pão de queijo. A proposta é a seguinte, mano: que tal incluir outros grupos nessa instituição? Óbvio que estou falando dos LGBT's, que também se alimentam de comidas típicas, são desconfiados e se deixar, também se casam bonitinho. Não estou querendo que entremos de cabeça na heteronormatividade (oi?) de seguir os modos consagrados de amor. Só estou pedindo pra colocarem a gente na fotinha e mostrar que também existimos. Ok, talvez seja preciso fazer alguma concessão. Eu estou fazendo a minha parte: já comprei mils pacotes de pão de queijo congelado.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Programa pra hoje à noite


Nada de dar uma olhadinha no cabelo da Fátima Bernardes hoje, nem assistir Os Mutantes!! Às 20h45, ligue na TV UFMG, canal 14 da Oi TV e 12 da Net. O que você vai ver? Uma entrevista bem gaguejada sobre o livro-reportagem Cidade dos Outros - Espaços e tribos LGBT em BH. Aquele que pra ganhar uma cópia é preciso sair do armário, lembra? Pois é, sintonize lá e assista.

P.S: Quem não viu, vê aqui ó.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O mamilo catalisador

Um pontinho a mais no tórax; um gay a mais no mundo

Chegou mais uma historinha de outing pra gente, do potiguar Paulo César, que por causa de um mamilo a mais, acabou saindo do armário para seus amiguinhos cariocas. Confira:


Bom, primeiramente tenho de falar que não sou de BH e apenas estive na rodoviária quando fui para Araxá, sou natalense e moro no Rio. A história que vou contar é sobre como saí do armário para meus amigos do Rio.

Eu tinha vinte e quatro anos e acabara de chegar ao Rio de Janeiro, havia chegado junto de mais outros sete colegas, todos da mesma empresa, que nos tranferiram. Estávamos num hotel, ainda procurando apartamentos e resolvendo algumas coisas da transferência. Certo dia resolvemos relaxar e fomos todos para a piscina, todos em traje de banho. Ficamos brincando na água até que um dos meninos reparou que eu tenho um sinal logo abaixo do mamilo esquerdo.

Ele perguntou o que era e eu falei que era um terceiro mamilo. Ele ficou intrigado e foi conferir de perto, quando constatou que era realmente um mamilo. Então me perguntou se eu nunca quis tirar aquilo e eu falei que não, que era um "chama" para um início de conversa e possível paquera, pois sempre vinham me perguntar aquilo e acabava rolando um affair. Daí ele me perguntou se alguma menina já havia feito isso. Eu falei que não. Ele continuou perguntando, se alguma mulher não havia iniciado uma conversa sobre o mamilo.

Eu falei que mulher não.

Até que ele respondeu: vou ficar por aqui que eu já estou ficando encabulado. Então todos olharam entre si e perceberam do que se tratava a conversa. E foi a melhor coisa que aconteceu, pois seria difícil estar numa cidade diferente, com pessoas diferentes e ter de esconder quem você realmente é. Felizmente, nunca houve preconceito da parte deles e hoje somos uma grande família unida pela amizade.
*******
O Osmar e o Paulo César já ganharam uma incrível versão em PDF de Cidade dos Outros - Espaços e tribos LGBT em Belo Horizonte, com a promoção Armário Público. Não fique de fora, envie já o relato de sua saída para casinhaexperimental@gmail.com.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Fora do armário





O primeiro relato do Armário Público chegou até a gente, é do Osmar da Libertos Comunicação, que vai receber sua cópia em PDF do livro Cidade dos outros - Espaços e tribos LGBT em Belo Horizonte nesse fim de semana:

"Nunca estive no armário"

Eu poderia escrever algo sobre minha saída do armário, mas creio que ficaria meio sem graça, pois praticamente nunca estive. Sou do interior, Carangola, e sempre tive meus namoradinhos escondidos - e namorava garotas também. Mas, a paixão mesmo foi com um vizinho 8 anos mais velho. Eu tinha 8 e nossa relação - super secreta; eu achava que casal assim só existia eu e ele - durou até meus 14 anos, quando me mudei para a capital, Belo Horizonte.

Aí, uma vez na capital, cair no crime foi o passo mais fácil.Entretanto, sempre fui discreto nas minhas ações. Tudo sem alarde,sem propaganda, mas, posso afirmar que aos 15 anos eu deveria ser o maior corruptor de maiores que esta cidade jamais viu!

Hoje, namoro de maneira discreta, não gosto de dar pinta e de ninguém (pra namorar) que desmunheque mais que eu, a não ser alguns amigos e o povo dos palcos.Vim a ouvir falar da existência deste armário depois dos quarenta anos. E fiquei surpreso.
Claro, é mais que compreensível.

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Mande você também sua história de armário pra gente, estamos aguardando

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Armário Público


Pensamos em váaarias possibilidades de sobrevivência para esse blog e apesar de tudo, encontramos. Ao invés de publicar nosso livro em pedacinhos, optamos por uma via mais difícil. Para o leitor, claro. Na vibe das coisas colaborativas e tudo mais, gloriosamente lançamos a promoção Armário Público.

E de que se trata?


Quem estiver interessado em ganhar uma cópia PDF (!) do livro
Cidade dos Outros - Espaços e tribos LGBT em Belo Horizonte, deverá enviar a história de sua saída do armário pra gente. Nos comprometemos do fundo do nosso coraçãozinho a resguardar a identidade da pessoa. Os melhores serão publicados aqui, nos damos o direito de editar caso o texto esteja ininteligível. Se você não saiu do armário, ou simplesmente não tem armário, aguarde que um dia iremos disponibilizar o livro inteiro neste blog. Mas se você está dentro de um e quer ler com urgência esse guia às avessas da vida gay belorizontina, tire já suas letrinhas do armário e envie pra gente no casinhaexperimental@gmail.com.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Andaluz


O Andaluz Club Café é resultado de uma operação siamesa ao contrário, fruto da união entre o Andaluz Casa Bar e o Club Café, que funcionavam um ao lado do outro. A entrada da boate é pela área onde ficava o antigo café, a decoração é quase a mesma, com quadros exibindo corpos de forma artística. Um orifício, também conhecido como porta, liga essa parte à pista de dança, que ocupa todo o espaço de onde era o Andaluz. Fui lá no último sábado e aprovei a mudança, apesar das mil pessoas na porta e do milhão aglomerado do lado de dentro. Anteriormente, fora lá uma vez e tinha achado muito chato, com gente dançando em círculo para ter visão 360º das pessoas a serem pegadas ou não.

Dessa vez foi diferente, estava em grupo de amigos e amigos de amigos (entre eles uma travesti, que passa fácil por mulher). O cardápio musical ficou no arroz-com-feijão gay, com música eletrônica tipo "Set me free", divas da música pop e até um remix mal-sucedido de "If a were a boy" da Beyoncé. O mais legal de tudo são as pessoas, bastante desprendidas, felizes por natureza e que se pegam a vontade e não fazem muito carão (por mais surreal que pareça). Tinha até aquele vidente que fazia previsões na Sônia Abrão, lembra?? Ressalva para o uso excessivo de bonés, que alguém explica porquê ainda se usa isso de noite. De resto, se você estiver interessado em se divertir sem se importar com a música e com uma fila do cão na saída, vá lá ver.

Endereço: Rua Congonhas, 487
Bairro Santo Antônio
31 3296 5942

P.S: Se não entender a referência da foto, não banca a bicha burra e procura saber.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ano Novo (?)


Confesso que o ócio é que me faz escrever nesse segundo dia do ano, naturalmente sobre coisas de fim/início de ano que a gente sempre diz e reflete e deseja. Por enquanto não traçamos quase nada para este blog em 2009, continua como repositório de textos sem periodicidade. 2009, por sinal, é Ano Internacional da Astronomia, quem sabe as estrelas tragam mais respostas sobre nossa vida na Terra?

Enfim...Chega de poesia barata.

Queria dizer que não gostei da fala do papa Bento XVI no fim do ano passado em prol do salvamento de gays.
Assisti a declaração no Jornal Nacional, em casa, enquanto meus pais estavam na igreja. Primeiro fiquei preocupado com o efeito das palavras dele, depois restou apenas uma indignação que sempre esteve no rol dos meus sentimentos contra ele.

Me entristece o fato de sermos escolhidos como as bruxas do século XXI, quando a Igreja não consegue manter a mesma influência de antes, não convence as pessoas com o mesmo ardor e precisa de novos inimigos. É preciso entender que embora o alvo sejam os homossexuais, a humanidade é que é atingida, fica mais intolerante, menos diversa. Crianças feridas em Gaza, no Sudão, gays e lésbicas perseguidos no Oriente Médio ou nas ruas de São Paulo, tudo isso tem a mesma origem: falta de compreensão das diferenças.

Momento "I have a dream": Eu bem queria começar o ano pensando só nos meus probleminhas, sabe? Emprego, academia, relacionamentos, etc. Mas ainda estamos em um mundo em que a visão estreita de poucos atrapalha a vida de muitos. No mais, Feliz 2009 para todos, todas e transgêneros!!!


P.S: Esse blog ainda não aderiu ao acordo ortográfico. A falta de acentos, se for o caso, é erro mesmo.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Emos, indies e modernos



Pela extravagância visual e na atitude, os emos são um grupo mais realçado no meio de tantos outros. São jovens que escutam hardcore com letras melódicas, têm cortes de cabelos que radicalizam uma franja que cobre um dos olhos, pretendendo um ar misterioso e dramático. As roupas lembram a agressividade punk ou a amargura gótica, as vestimentas negras com detalhes de spikes (espetos metálicos), couro, ganham detalhes amáveis, como pequenos bichos de pelúcia, dados, cerejas e bottons ilustrados e coloridos.


O termo “emo” foi criado nos Estados Unidos a partir de um estilo musical derivado do punk dos anos 70, o emocore. Com melodias hardcore aliadas a letras emotivas, as músicas do emocore, incitam um comportamento sensível e sofredor. Durante os anos 90, o estilo emo foi se refinando, absorvendo novidades tecnológicas do vestuário e tendências da moda jovem. No começo dos anos 2000 esse estilo de juventude chegou ao Brasil com bandas como Fresno e NX Zero. Os emos se reúnem na praça da savassi em grande volume e disputam lugar com punks e góticos. Porém, talvez devido a faixa etária predominantemente inferior, desaparecem a medida que a noite avança.

Avistados de longe, os indies se parecem com emos. O mesmo tênis all star, o mesmo padrão quadriculado em detalhes da camisa e até o mesmo cinto com rebites metálicos. Porém, há divergências cruciais entre os dois grupos: em primeiro lugar o estilo musical e em um segundo lugar apertado o corte de cabelo, menos radical e mais funcional. O termo “Indie” também tem suas origens nos anos 80, e denota bandas sem contrato com grandes gravadoras, que fazem um estilo de música que divergem ao comercial propagado pela indústria musical massificadora. Sonic Youth, The Stone Roses e Jesus and Mary Chain são algumas das bandas de indie rock que influenciaram a música indie nos anos 90 e 2000.

Indies, portanto, gostam de indie music. Ou quase isso. O gênero, denominado Indie que já fez referência às produções independentes, hoje abrange todas as bandas que seguem um estilo Indie, contratadas ou não. Por paradoxal que pareça, há um visual respeitado e uma sonoridade apreciada – aquela que não é compartilhada por muitos e não toca no rádio, de preferência. Talvez por essa recusa ao atual, a sonoridade indie vai muitas vezes reviver o que já fez sucesso nas paradas pops das décadas de 60 e 70, e, exaustivamente, na década de 80 e hoje está esquecido. Bandas como The Pippettes, Alphabeat, Interpol, Belle and Sebastian reciclam a sonoridade vintage. O estilo de vestuário acaba refletindo este revival, abusando de peças que rememoram outras décadas, all stars, vestidos, camisas abotoadas, óculos de aro grosso. O guarda-roupa de um indie também é composto pela manifestação do gosto através de camisetas com delicadas estampas de bandas desconhecidas do grande público.

Os modernos, por sua vez, são facilmente diferenciados das outras duas tribos. Em geral, eles brilham, literalmente, e estão a um passo à frente. Modernos gostam de música eletrônica e podem ter sua origem apontada no final dos anos 80 e início dos anos 90, com o desenvolvimento do Techno. Desde então, os modernos do ano 2000 gostaram de electroclash, passaram para o electrotrash, e depois de uma década de atitude blasée e distanciada de pobres mortais na pista, em 2006 juntam-se ao neo-movimento paz e amor. Em 2008, aderem ao new-rave, também reconhecido como movimento das festas para amizades instantâneas com música eletrônica dançante. O importante é sorrir bastante, usar muita cor e brilho e fazer um milhão de amigos na noite.

Eles estão em constante mutação. São levados pelas pré-tendências e muitas vezes são vanguarda de movimentos da estética pessoal que acabam no mainstream (aquilo que todo mundo começa a usar). Enquanto isso emos se vestem como seus ídolos sofredores e indies mantém uma tranqüilidade estilística monótona, trocando listras por bolinhas de vez em quando. Os modernos podem tanto abusar de cores e penteados quanto entrar em uma onda minimalista e monocromática, dependendo da estação.

Ao contrário de barbies, pocs, finas e colocadas, os emos, indies e modernos não são tribos exclusivamente compostas por homossexuais. A tribo do emocore é erroneamente generalizada como bissexual, enquanto o grupo apenas defende demonstrações de afeto independente do sexo ou orientação sexual. O emos adotam também uma estética andrógena, mas nenhum desses fatores impõe alguma definição sobre a sexualidade de seus integrantes. Talvez pela intenção de ser vanguarda e considerar esses preconceitos ultrapassados ou talvez por uma atitude de indiferença à orientação sexual, os indies e modernos condenam a homofobia e congregam grande parte de LGBTs.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Livros, filhos e árvores


Como anunciado no post abaixo, defendemos nosso projeto experimental nessa quarta-feira, dia 10. Fomos aprovados, eu (Vinícius) e Maria Tereza, agora virtuais jornalistas. Já é clichê dizer que publicar um livro é como ter um filho. Alguma verdade há nisso, mas não de todo. Fazer filho é coisa que se resolve em menos de meia hora dentro de circunstâncias favoráveis. 

Um livro demora muito tempo e nem sempre dá prazer. Depois da aprovação, muita gente me disse que agora eu só precisava plantar uma árvore e ter um filho para meu tempo valer aqui na terra. A única árvore que plantei, no jardim da Igreja Batista em minha cidade-natal, não chegou a crescer e foi cortada para dar lugar à casa do pastor. O filho é mais difícil. Na noite passada sonhei que a Maria Tereza queria engravidar e que eu doaria o sêmen pra ela, mas por alguma confusão onírica o projeto não foi adiante. 

Agora nós nos perguntamos: o que será desse blog? Faz sentido continuar com ele? Publicamos o livro-reportagem aos pouquinhos aqui? Continuamos a falar mal das boates de BH? Transformamos esse espaço em muro de lamentações público? Muitas perguntas, amigos. As respostas virão com o tempo. Nesse meio tempo vou continuar a pensar em novos filhos, árvores e livros. Um abraço!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Defesa


Depois de noites mal dormidas, várias entrevistas, milhares de caracteres, ficou pronto o nosso livro-reportagem! Com algum frio na barriga, nós convidamos você para assistir a nossa defesa, ou seria gongação pública?
Enfim, esse daí é o layout da capa, feito pelo artista Glauber Rodrigues.



Defesa de projeto experimental:



Livro-reportagem Cidade dos Outros - Espaços e tribos LGBT em Belo Horizonte

Dia 10, às 9h15 - Sala 2, terceiro andar da Fafich, Campus Pampulha/UFMG.



quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Barbie boy, in a barbie wear.


“O mundo Barbie é cor-de-rosa, feito de sonhos e fantasia, onde tudo é possível.”, Cláudia Garcia, Almanaque Folha, sobre a boneca. 

A boneca Barbie foi criada em 1959, nos Estados Unidos, por Jack Ryan a pedido de Ruth Handler, esposa do dono da fábrica de brinquedos Mattel. Loura, de corpo esguio, mas bem torneado, a boneca é vendida em todo o mundo, seja em sua versão tradicional ou em versões temáticas: Fundo do Mar, Barbie Estrela, Barbie Borboleta... Já protagonizou dezenas de filmes, entre eles “A Magia do Arco-Íris”, lançado em 2007. Quase toda menina menor de 10 anos sonha ou já sonhou em ter um exemplar. Mas a Barbie não é sozinha no mundo, desde 1961 conta com a companhia de Ken, seu namorado, rapaz levemente bronzeado, corpo bem esculpido e cabelo liso ornado por um sutil topete.

Por um desvio de significado, a descrição de Ken caberia bem a qualquer barbie, personagem encontrado nas baladas gays aos montes. Malhados, bronzeados, cordão de prata no pescoço, cueca Calvin Klein com elástico à mostra, um jeito de dançar que evidencia cada músculo trabalhado na academia e expressão facial que ignora qualquer crise econômica ou as pessoas à volta. Quando optam por desprezar o uso da camisa, ficam bem semelhantes ao Ken da linha Barbie vai à Praia.

O sociólogo Carlos Figari, em seu livro, “@s Outr@s Cariocas –Interpelações, experiências e identidades homoeróticas no Rio de Janeiro – Séculos XVII ao XX”, relata que o grupo não desperta muita simpatia entre outros gays: “Uma das mais concisas e pejorativas que ouvi a seu respeito é que ‘barbie tem corpo de Tarzan, cabeça de chita e voz de Jane’. Entretanto, essa rejeição encobre o fato de que a maioria dos outros as desejam, seja como modelo estético ou erótico”. O sociólogo completa o raciocínio lembrando que homens que ilustram capas de revistas gays, go-go boys e modelos publicitários, ao menos esteticamente, se assemelham às barbies.

Nesse momento, cabe um parêntesis: não se sabe porque, as barbies são chamadas assim, no gênero feminino, mas como todo mundo se refere dessa forma a esse grupo, da mesma forma será feito aqui. Preconceitos à parte, a tribo das barbies surgiu nos Estados Unidos na década de 80 como resposta às imagens de gays destruídos pelo mal da década, a Aids. Daí o excessivo cuidado com o corpo e a aparência, a falta de inibição em se mostrar, que se somam ao apreço a determinadas marcas e produtos e o gosto por música eletrônica.

Embora existam tantas definições sobre o que é ser barbie, seja a boneca ou a identidade, como visto acima, é difícil encontrar alguém que declare: “Sou uma barbie”. Segundo Carlo Figari, ainda em seu livro, entre elas não há uma autoconsciência coletiva. Na verdade, o grupo se constitui mais por compartilhar gostos e estilos de vida comuns do que usar uma camisa com a palavra “barbie” estampada, a estampa Everlast já é suficiente.

Nas noites de Belo Horizonte, pessoas caracterizadas como barbies costumam se concentrar principalmente na Josefine, embora não se sintam desconfortáveis na Miss Pig. Elas também costumam se reunir em PVT’s, festas privadas em sítios, onde rola muita música eletrônica e elas podem se exibir à beira da piscina.

P.S: Essa é uma partezinha do livro-reportagem, que fica pronto na sexta-feira!! Como está editada, tem muito preconceito destilado.  No desenvolvimento do texto, a coisa fica mais amena com as barbies, que são pessoas legais ;). Leia e comente.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Fora da barraca

Se nosso trabalho fosse feito em Salvador, a Barraca Aruba seria lugar obrigatório de passagem.




P.S: a gente também somos CDF!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

É isso aiiiií....


Enquanto a revista americana Out fez a lista dos cem maiores álbuns gays da história e o Gay Blog publicou as mais mais brasileiras, a gente defende a publicação da lista das mais lésbicas do Brasil. Em nossas incursões por bares e boates de BH, foi possível descobrir algumas preferências musicais das meninas. Óbvio que não se trata de nenhuma investigação científica profunda, por isso a coisa é meio anárquica mesmo.

Bom, pra começar, elas gostam muito das divas da MPB e tão se lixando pra Madonna, Rihanna, Beyoncé ou qualquer coisa do tipo. O que bomba são os graves melancólicos de Nana Caymmi, a rouquidão de Cássia Eller, a força de Zélia Duncan e a voz fálica de Ana Carolina. Isso sem contar outras como Maria Bethânia, Gal Costa, Zizi Possi, Joanna, Marisa Monte e Renata Arruda. Algumas canções dessas intérpretes são alçadas ao patamar de hinos e emocionam repetitivamente as platéias de barzinhos.

A canção Ouro pra mim “Mudou tudo no amor, outra cara, outra forma de ver e sentir, o que antes eu não entendia agora é ouro pra mim”, do compositor Peninha, é exemplo de hino não oficial. Sucesso na voz de Renata Arruda em 1999, na trilha da novela Andando nas Nuvens, é cantada do início ao fim pelos freqüentadores da Gis.  Sinais de fogo, “Porque você não olha cara a cara, fica nesse passa não passa, o que te falta é coragem” composta por Ana Carolina e Antonio Villeroy, lançada em 2004 por Preta Gil, também não foi esquecida. Em comum, essas músicas têm temática de amor e trechos que podem ser interpretados como mensagens implícitas sobre desafios da sexualidade marginalizada, por isso ganham a simpatia das dykes.

Além das músicas recolhidas em observação participante, também temos outras canções que são hinos do amor entre mulheres: Resposta ao tempo, da Nana Caymmi; Asa Morena, de Zizi Possi; Várias da Simone; Veneno, da Marina Lima (opinião nossa, como todo o resto, aliás). 

Okay, a gente sabe que tem outras várias, que tem injustiça, mas é de propósito. Se você lembrar de mais alguma, coloque nos comentários! A gente agradece.

P.S: Fomos divulgados pelo BHY, fato que nos deixou realmente comovidos.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Locomotiva


O Estação 2000 evoca outros tempos que não este século. O salão principal abriga um bar, a pista de dança que possui palco e um ambiente com mesas e cadeiras. Ao fundo do palco, a imagem em grande escala do logotipo da boate, uma locomotiva, dá personalidade ao ambiente. A composição dos espaços lembra um cabaré da década de 60, daqueles vistos em minisséries e filmes nacionais, em tons de abajur cor de carne.

Durante a semana, a boate recebe travestis e drag queens para apresentações de dublagem. Aos sábados, dois cantores se revezam no palco do Estação. A performance dos dois reforça a sensação de não estar no presente, o que não é necessariamente ruim. Acompanhados da batida de um karaokê, Ângela Evans e Wellington Faria cantam sambas tradicionais, músicas sertanejas, clássicos da MPB e os últimos sucessos de Beyoncé ou Rihanna em versões alternativas e até remixadas.

No início da noite, o clima é de reunião de amigos que se conhecem por mais de uma década ou encontros na mesa de bar, homens acima dos 30 anos debruçados sobre o balcão bebericam enquanto conversam. As mesas nos cantos da pista de dança abrigam os mais observadores. Pouco antes da meia noite a boate começa a esquentar e ganhar traços de balada gay. O público se multiplica, a música anima a pista e tem início a jogação – de braços, pernas, cinturas e cabelos, ainda que algumas vezes escassos.

O Estação tem forte apelo para quem procura paquera e pegação, a entrada costuma ser barata em relação a outras casas e o público, mais maduro. A partir das duas da manhã o limite máximo de lotação favorece ainda mais as interações físicas.

No fim da nossa visita, avistamos um padre ortodoxo circulando faceiro entre a massa do Estação.

Estação 2000
Avenida Barbacena, 823 
Barro Preto - BH

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Invisibilidade lésbica

Enquanto estamos muito entretidos escrevendo o livro, o relatório técnico e transcrevendo entrevistas:

















Certamente eu queria dizer límbicas.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Léo Batista e Bebel Sampaio















































Imagens que valem mil palavras.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A mais famosa de todas


A Josefine fica bem ali na Antônio de Albuquerque, perto do Café com Letras. Provavelmente você já deve ter ouvido falar. A última vez que fui no local foi há uns dois, três meses atrás, numa quinta-feira, famosa Quinta Mix. Era dia de decisão do Mr.Gay Minas e eu estava lá pra fazer cobertura pra Rádio UFMG Educativa. Só pra constar, o vencedor foi Patryck Scalco, da cidade de Machado, que por sinal, não compareceu à competição do Mr.Gay Brasil semana passada. Enfim. Vamos falar da casa. Como eu era a única pessoa da imprensa no local, era alguém na noite. E quem é alguém na noite tem privilégios. Pude acessar a pista 2 da Jo, que nesse dia era só pra VIP's, com direito a suco e álcool de graça. Mas não bebi pra dar uma geral no lugar, que tem decoração futurista, daquele futuro imaginado décadas atrás.

O que bomba mesmo é a pista 1, que ocupa mais espaço e fica no primeiro andar. É lá que as pessoas interagem, dançam com mais efusividade e se pegam. Um detalhe do lugar é que os rapazes tiram a camisa pra dançar e exibir o resultado de anos de ferro puxado na academia. Não há restrições quanto a temperatura, era inverno na época e eu fazia parte da meia dúzia agasalhada. Depois de quatro incursões seguidas à casa, notei que o número de descamisados aumenta a partir de uma da manhã. Meia hora depois aumenta o número de casais.

Por volta das duas horas, Walkíria La Roche sobe no palco. Se você não sabe quem é, também não preciso dizer. Mentira, ela é trans e faz as honras da Josefine. Brinca com a platéia, dança e apresenta as atrações: gogo boys sarados, que mexem o corpo pra lá pra cá, tentando mostrar alguma sensualidade. Logo em seguida, dois rapazes entram mostrando tudo mesmo. Ouve-se gritos e suspiros.

Mais um detalhe da Jo: no canto direito do palco existe uma portinha que dá acesso aos camarins, ao lado fica uma escada que leva ao dark room. Pra quem não sabe, a dark é uma sala escura (!), onde as pessoas entram e se pegam (mesmo), sem saber quem é (são) a(s) outra(s) pessoa(s).

Para conferir
Josefine (quintas e sábados)
Rua Antônio de Albuquerque, 729 - Savassi
P.S: Em outros dias, o local se traveste de Roxy e se torna hetero.