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segunda-feira, 2 de março de 2009

A tradicional família gay mineira


Já falei que odeio a família mineira? Na verdade, não odeio essa história de pai, mãe, irmão, etc. Fui criado numa dessas. O que irrita na verdade é a representação da tal Tradicional Família Mineira. Quem vive por essas terras sabe do que estou falando. Os jornais sempre estão carregados de fotos bonitinhas reunindo a linhagem familiar de pai, mãe, filha, que provavelmente já está prometida para algum fulano e em breve vai casar com pompas e tudo mais. Qualquer vídeo sobre o estado mostra pessoas muito felizes em suas casas ostentando pratos típicos, passando manteiga no pão, sempre com uma musiquinha calma, porque mineiro não se desespera, enquanto a câmera atravessa a janela e segue montanha acima.

Outro dia, inclusive, estava comentando com um amigo que se alguém de fora visse Minas pelo Terra de Minas, programa semanal da Rede Globo, imaginaria que no estado só houvessem senhoras na casa dos 50, que assam pão de queijo para os outros habitantes, os netinhos. 

Pois bem, disse tudo isso só para lançar uma proposta radicalzinha. Calma, não quero acabar com a família mineira nem com o pão de queijo. A proposta é a seguinte, mano: que tal incluir outros grupos nessa instituição? Óbvio que estou falando dos LGBT's, que também se alimentam de comidas típicas, são desconfiados e se deixar, também se casam bonitinho. Não estou querendo que entremos de cabeça na heteronormatividade (oi?) de seguir os modos consagrados de amor. Só estou pedindo pra colocarem a gente na fotinha e mostrar que também existimos. Ok, talvez seja preciso fazer alguma concessão. Eu estou fazendo a minha parte: já comprei mils pacotes de pão de queijo congelado.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Fora do armário





O primeiro relato do Armário Público chegou até a gente, é do Osmar da Libertos Comunicação, que vai receber sua cópia em PDF do livro Cidade dos outros - Espaços e tribos LGBT em Belo Horizonte nesse fim de semana:

"Nunca estive no armário"

Eu poderia escrever algo sobre minha saída do armário, mas creio que ficaria meio sem graça, pois praticamente nunca estive. Sou do interior, Carangola, e sempre tive meus namoradinhos escondidos - e namorava garotas também. Mas, a paixão mesmo foi com um vizinho 8 anos mais velho. Eu tinha 8 e nossa relação - super secreta; eu achava que casal assim só existia eu e ele - durou até meus 14 anos, quando me mudei para a capital, Belo Horizonte.

Aí, uma vez na capital, cair no crime foi o passo mais fácil.Entretanto, sempre fui discreto nas minhas ações. Tudo sem alarde,sem propaganda, mas, posso afirmar que aos 15 anos eu deveria ser o maior corruptor de maiores que esta cidade jamais viu!

Hoje, namoro de maneira discreta, não gosto de dar pinta e de ninguém (pra namorar) que desmunheque mais que eu, a não ser alguns amigos e o povo dos palcos.Vim a ouvir falar da existência deste armário depois dos quarenta anos. E fiquei surpreso.
Claro, é mais que compreensível.

*****
Mande você também sua história de armário pra gente, estamos aguardando

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Armário Público


Pensamos em váaarias possibilidades de sobrevivência para esse blog e apesar de tudo, encontramos. Ao invés de publicar nosso livro em pedacinhos, optamos por uma via mais difícil. Para o leitor, claro. Na vibe das coisas colaborativas e tudo mais, gloriosamente lançamos a promoção Armário Público.

E de que se trata?


Quem estiver interessado em ganhar uma cópia PDF (!) do livro
Cidade dos Outros - Espaços e tribos LGBT em Belo Horizonte, deverá enviar a história de sua saída do armário pra gente. Nos comprometemos do fundo do nosso coraçãozinho a resguardar a identidade da pessoa. Os melhores serão publicados aqui, nos damos o direito de editar caso o texto esteja ininteligível. Se você não saiu do armário, ou simplesmente não tem armário, aguarde que um dia iremos disponibilizar o livro inteiro neste blog. Mas se você está dentro de um e quer ler com urgência esse guia às avessas da vida gay belorizontina, tire já suas letrinhas do armário e envie pra gente no casinhaexperimental@gmail.com.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ano Novo (?)


Confesso que o ócio é que me faz escrever nesse segundo dia do ano, naturalmente sobre coisas de fim/início de ano que a gente sempre diz e reflete e deseja. Por enquanto não traçamos quase nada para este blog em 2009, continua como repositório de textos sem periodicidade. 2009, por sinal, é Ano Internacional da Astronomia, quem sabe as estrelas tragam mais respostas sobre nossa vida na Terra?

Enfim...Chega de poesia barata.

Queria dizer que não gostei da fala do papa Bento XVI no fim do ano passado em prol do salvamento de gays.
Assisti a declaração no Jornal Nacional, em casa, enquanto meus pais estavam na igreja. Primeiro fiquei preocupado com o efeito das palavras dele, depois restou apenas uma indignação que sempre esteve no rol dos meus sentimentos contra ele.

Me entristece o fato de sermos escolhidos como as bruxas do século XXI, quando a Igreja não consegue manter a mesma influência de antes, não convence as pessoas com o mesmo ardor e precisa de novos inimigos. É preciso entender que embora o alvo sejam os homossexuais, a humanidade é que é atingida, fica mais intolerante, menos diversa. Crianças feridas em Gaza, no Sudão, gays e lésbicas perseguidos no Oriente Médio ou nas ruas de São Paulo, tudo isso tem a mesma origem: falta de compreensão das diferenças.

Momento "I have a dream": Eu bem queria começar o ano pensando só nos meus probleminhas, sabe? Emprego, academia, relacionamentos, etc. Mas ainda estamos em um mundo em que a visão estreita de poucos atrapalha a vida de muitos. No mais, Feliz 2009 para todos, todas e transgêneros!!!


P.S: Esse blog ainda não aderiu ao acordo ortográfico. A falta de acentos, se for o caso, é erro mesmo.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

É isso aiiiií....


Enquanto a revista americana Out fez a lista dos cem maiores álbuns gays da história e o Gay Blog publicou as mais mais brasileiras, a gente defende a publicação da lista das mais lésbicas do Brasil. Em nossas incursões por bares e boates de BH, foi possível descobrir algumas preferências musicais das meninas. Óbvio que não se trata de nenhuma investigação científica profunda, por isso a coisa é meio anárquica mesmo.

Bom, pra começar, elas gostam muito das divas da MPB e tão se lixando pra Madonna, Rihanna, Beyoncé ou qualquer coisa do tipo. O que bomba são os graves melancólicos de Nana Caymmi, a rouquidão de Cássia Eller, a força de Zélia Duncan e a voz fálica de Ana Carolina. Isso sem contar outras como Maria Bethânia, Gal Costa, Zizi Possi, Joanna, Marisa Monte e Renata Arruda. Algumas canções dessas intérpretes são alçadas ao patamar de hinos e emocionam repetitivamente as platéias de barzinhos.

A canção Ouro pra mim “Mudou tudo no amor, outra cara, outra forma de ver e sentir, o que antes eu não entendia agora é ouro pra mim”, do compositor Peninha, é exemplo de hino não oficial. Sucesso na voz de Renata Arruda em 1999, na trilha da novela Andando nas Nuvens, é cantada do início ao fim pelos freqüentadores da Gis.  Sinais de fogo, “Porque você não olha cara a cara, fica nesse passa não passa, o que te falta é coragem” composta por Ana Carolina e Antonio Villeroy, lançada em 2004 por Preta Gil, também não foi esquecida. Em comum, essas músicas têm temática de amor e trechos que podem ser interpretados como mensagens implícitas sobre desafios da sexualidade marginalizada, por isso ganham a simpatia das dykes.

Além das músicas recolhidas em observação participante, também temos outras canções que são hinos do amor entre mulheres: Resposta ao tempo, da Nana Caymmi; Asa Morena, de Zizi Possi; Várias da Simone; Veneno, da Marina Lima (opinião nossa, como todo o resto, aliás). 

Okay, a gente sabe que tem outras várias, que tem injustiça, mas é de propósito. Se você lembrar de mais alguma, coloque nos comentários! A gente agradece.

P.S: Fomos divulgados pelo BHY, fato que nos deixou realmente comovidos.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Locomotiva


O Estação 2000 evoca outros tempos que não este século. O salão principal abriga um bar, a pista de dança que possui palco e um ambiente com mesas e cadeiras. Ao fundo do palco, a imagem em grande escala do logotipo da boate, uma locomotiva, dá personalidade ao ambiente. A composição dos espaços lembra um cabaré da década de 60, daqueles vistos em minisséries e filmes nacionais, em tons de abajur cor de carne.

Durante a semana, a boate recebe travestis e drag queens para apresentações de dublagem. Aos sábados, dois cantores se revezam no palco do Estação. A performance dos dois reforça a sensação de não estar no presente, o que não é necessariamente ruim. Acompanhados da batida de um karaokê, Ângela Evans e Wellington Faria cantam sambas tradicionais, músicas sertanejas, clássicos da MPB e os últimos sucessos de Beyoncé ou Rihanna em versões alternativas e até remixadas.

No início da noite, o clima é de reunião de amigos que se conhecem por mais de uma década ou encontros na mesa de bar, homens acima dos 30 anos debruçados sobre o balcão bebericam enquanto conversam. As mesas nos cantos da pista de dança abrigam os mais observadores. Pouco antes da meia noite a boate começa a esquentar e ganhar traços de balada gay. O público se multiplica, a música anima a pista e tem início a jogação – de braços, pernas, cinturas e cabelos, ainda que algumas vezes escassos.

O Estação tem forte apelo para quem procura paquera e pegação, a entrada costuma ser barata em relação a outras casas e o público, mais maduro. A partir das duas da manhã o limite máximo de lotação favorece ainda mais as interações físicas.

No fim da nossa visita, avistamos um padre ortodoxo circulando faceiro entre a massa do Estação.

Estação 2000
Avenida Barbacena, 823 
Barro Preto - BH

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A mais famosa de todas


A Josefine fica bem ali na Antônio de Albuquerque, perto do Café com Letras. Provavelmente você já deve ter ouvido falar. A última vez que fui no local foi há uns dois, três meses atrás, numa quinta-feira, famosa Quinta Mix. Era dia de decisão do Mr.Gay Minas e eu estava lá pra fazer cobertura pra Rádio UFMG Educativa. Só pra constar, o vencedor foi Patryck Scalco, da cidade de Machado, que por sinal, não compareceu à competição do Mr.Gay Brasil semana passada. Enfim. Vamos falar da casa. Como eu era a única pessoa da imprensa no local, era alguém na noite. E quem é alguém na noite tem privilégios. Pude acessar a pista 2 da Jo, que nesse dia era só pra VIP's, com direito a suco e álcool de graça. Mas não bebi pra dar uma geral no lugar, que tem decoração futurista, daquele futuro imaginado décadas atrás.

O que bomba mesmo é a pista 1, que ocupa mais espaço e fica no primeiro andar. É lá que as pessoas interagem, dançam com mais efusividade e se pegam. Um detalhe do lugar é que os rapazes tiram a camisa pra dançar e exibir o resultado de anos de ferro puxado na academia. Não há restrições quanto a temperatura, era inverno na época e eu fazia parte da meia dúzia agasalhada. Depois de quatro incursões seguidas à casa, notei que o número de descamisados aumenta a partir de uma da manhã. Meia hora depois aumenta o número de casais.

Por volta das duas horas, Walkíria La Roche sobe no palco. Se você não sabe quem é, também não preciso dizer. Mentira, ela é trans e faz as honras da Josefine. Brinca com a platéia, dança e apresenta as atrações: gogo boys sarados, que mexem o corpo pra lá pra cá, tentando mostrar alguma sensualidade. Logo em seguida, dois rapazes entram mostrando tudo mesmo. Ouve-se gritos e suspiros.

Mais um detalhe da Jo: no canto direito do palco existe uma portinha que dá acesso aos camarins, ao lado fica uma escada que leva ao dark room. Pra quem não sabe, a dark é uma sala escura (!), onde as pessoas entram e se pegam (mesmo), sem saber quem é (são) a(s) outra(s) pessoa(s).

Para conferir
Josefine (quintas e sábados)
Rua Antônio de Albuquerque, 729 - Savassi
P.S: Em outros dias, o local se traveste de Roxy e se torna hetero.